terça-feira, 1 de janeiro de 2013



Toda frase precisa de um contexto.
Não importa o quão ilógica.
Não precisa de pretexto.
Apenas não a diga de forma metódica.
Pense bem e não a solte em qualquer texto.

Pense bem antes de proferir algo mal formulado.
Para não acabar com o concreto mais duro.
Antes de ver tudo o que já construiu acabado.
Pense no que dirá, em significado puro.
Para não acabar com algo que sequer foi começado.
Mude o presente antes que ele mude seu futuro.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Sei que um dia vou esquecer que um dia eu te amei.
Com os meus lábios frios e com meus olhos secos.
Haverá um dia que direi que esqueci porque chorei.
Sem precisar mentir, com sorrisos frescos.

Haverá um dia sem qualquer pesadelo.
Em que direi que sonhei, mas não foi com você.
E depois, cuidarei de todos e (até) de mim com muito zelo.
Ninguém mais a beira do caos ou, da tristeza, a mercê.

Um dia ei de olhar nos teus olhos e não sorrir escrachado.
Ei de poder não rir de suas piadas e gestos furtivos.
Um dia, com muito custo, perderei esse amor mal achado.
E, não precisaremos nos esconder como fugitivos.

Não importa o quão longe esse dia esteja de chegar.
O aguardarei com meu coração em minhas mãos geladas.
As mesmas que tocarei seu rosto para suavemente falar;
Siga seu caminho em paz, volte para suas sinuosas estradas.

Sei que um dia, vou esquecer tudo de ruim, até mesmo as coisas boas.
Talvez até exclame e repita para todos e para mim.
Que um dia, ao menos, não me deparei com pessoas tolas.
Que não notaram que isso era uma mentira sem fim.

domingo, 25 de novembro de 2012


Enquanto você tenta resistir ao passado, ele faz com que você não viva o presente.
As coisas vêm e vão, o que se foi, se foi, o que virá, virá.
Sem limites, sem barreiras, se houver: elimine-as e mantenha o passado ausente.
Sempre, um futuro bom há de lhe esperar, mas o passado passou e não voltará.

Mantenha sempre viva a chama, mais viva ainda, a esperança.
Esqueça-se de que algum dia o ontem existiu.
Assim como uma pequena e inocente criança.
Seja forte, finja que a dor pegou suas malas e já partiu.

Olhe para a chuva que cai espontânea pela janela do carro.
Olhe para a lua que não liga para as nuvens e está sempre iluminando.
Olhe para a grama que está viva ainda, mesmo que cheia de barro.
Olhe para o seu coração, e seja como as coisas: continue sempre andando.

Sinta as coisas, no momento em que elas acontecem.
Ainda não chegou a hora de viver pelas lembranças.
Mas aproveite-as, ainda assim, antes que elas se dispersem.
Conte-as para quantos quiser pois serão suas verdadeiras heranças.

Lembre-se da vida, como um momento vivido.
Não lembre-se da vida, como um momento lembrado.
Esqueça quando você tiver seu coração partido.
Mas lembre-se de quando e como ele foi consertado.

sábado, 24 de novembro de 2012

“e foi assim que aconteceu…”


E foi assim que aconteceu.
O mundo como se fosse ilusão.
Simplesmente desapareceu.
De todo e qualquer campo de visão.

Tudo que se via era nada.
Para os lados, tudo igual.
Ainda me lembro de minha amada.
E nosso amor irreal.

Senti um fio em meu dedo.
Um fio vermelho, prendido por nó.
Eu já ficava com medo.
E estava me sentindo só.

O fio parecia comprido.
Preso à minha mão.
Estava solto e caído.
Seguindo pela escuridão.

Assustado, o segui com calma.
Do nada, para o nada seguia.
Enrolando o fio em minha palma.
Sentia apenas que me perdia.

Em pânico, e pensando em meu fim.
Desejava apenas voltar ao começo.
Sem mais algum pressentimento ruim.
Por medo, já não mais estremeço.

Seguindo aquela linha vermelha.
Sentia o coração de minha amada.
Cantando o que me dava na telha.
Sentia minha voz mais acalmada.

Olhando para aquele fino fio.
Lembrava do olhar quente dela.
Tirando-me, do corpo, o frio.
Bonita como uma artística tela.

Com o fio se acumulando num punhado.
Como se fossem os seus lindos cabelos.
Lembro do anel que já havia comprado.
As alianças escondidas em dois novelos.

Através daquele caminho.
No fim, via-se uma luz.
Não estava mais sozinho.
É ela agora que me conduz.

Ofuscado pela luz fechei o olho.
Abri-o em um lugar simples e claro.
Arrepiei-me e, na cama, me encolho.
Senti sua mão leve e seu amparo.

Estava em um hospital em coma por um acidente.
Apenas minutos antes de pedi-la em casamento.
O laço no dedo de nossas mãos, era transcendente.
Ela me guiou, e sempre guiará, apenas por pensamento.

Era uma vez um grão de arroz solitário.
Voou com o vento que não gostava de ninguém.
O grão, delicado e o vento, o seu contrário.
Mas esse fato jamais o detém.

Levado pelo vento.
Por dias e noites a fio.
Dormindo ao relendo.
Junto ao vento vazio.

Deixando de lado o tempo enganador.
Seguindo seu ritmo lentamente.
Abolia e dispersava toda a sua imensa dor.
Deixando-o rodopiando levemente.

Por sua trilha solitária.
Que não lembrava o começo.
Era quase imaginária.
O que faz dela: sem preço.

Seguindo o arco-íris de cores.
Partiu para um jardim.
Ele, com muitas flores.
E seu perfume de jasmim.

Assim como as flores: borboletas.
Planavam no ar com muita graça.
Azuis, amarelas, rosas e violetas.
Emudeciam assim como mordaça.

Não fazia diferença o tempo longo.
Não importava mais nem a distância.
A vida do solitário grão oblongo.
Era pequena mas tinha importância.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E o beija-flor alçou voo.
Suas asas batendo no verdejante mar de folhas ao seu redor.
O pólen se dispersando na forma de sonhos às pequenas flores do jardim.
Sonhos coloridos espalhando-se pelo mar de pétalas que voava com vento suave da pradaria.
Suave era seu voo, assim como o toque daquelas delicadas flores por sobre as quais ele planava.
Suave e frenético, assim como a quietude barulhenta da imaginação e do coração das pessoas que passam sem olhar para ele.
Seguindo seu fluxo perpétuo e mútuo de natural beleza.
O bater de asas frenético sibilando uma sombra negra por entre as outras sombras suavemente dançantes.
Emanando um calor imperceptível de suas energéticas acrobacias.
Permanecendo entre o limite dos sentidos e o infinito do imaginário, aquela pequena criatura de natureza efêmera cultivava vidas e sonhos.
Através de seu delicado corpo orgânico, segue uma linha vermelha, presa ao seu corpo imaterial e imortal.
Quando essa linha for rompida, esse corpo efêmero apenas cairá ao chão, enquanto, do outro lado da linha, ele voará alto, como um balão...
Como jamais poderia voar de verdade.

Então ela desembainhou a espada e saiu correndo em direção ao que não conhecia.
Saiu correndo lutando contra o infinito. Vendo a eternidade passar diante de seus olhos, sentiu o peso do tempo. Esquivando-se dos pesadelos, ela usou seu sonho como arma. Seu escudo de desejos. Sua capa de existência.
Respirando coragem. Usando medo como oxigênio. Sentia que isso a envelhecia, mas não parava de respirar. Expirando adrenalina. Com energia correndo nas veias. Manejava sua espada de sonhos com destreza. Matando mentiras. E fazendo-as se fundir em seu interior. Não as matava por ódio, mas por necessidade... Embora odiasse a verdade, vivia em um mundo cercado delas. Por isso fugia, lutando contra o infinito. Por isso corria em direção ao que não conhecia. Usando a esperança como catapulta, seguia jornada em busca de um mundo onde houvesse verdades melhores que mentiras.