sábado, 24 de novembro de 2012

“e foi assim que aconteceu…”


E foi assim que aconteceu.
O mundo como se fosse ilusão.
Simplesmente desapareceu.
De todo e qualquer campo de visão.

Tudo que se via era nada.
Para os lados, tudo igual.
Ainda me lembro de minha amada.
E nosso amor irreal.

Senti um fio em meu dedo.
Um fio vermelho, prendido por nó.
Eu já ficava com medo.
E estava me sentindo só.

O fio parecia comprido.
Preso à minha mão.
Estava solto e caído.
Seguindo pela escuridão.

Assustado, o segui com calma.
Do nada, para o nada seguia.
Enrolando o fio em minha palma.
Sentia apenas que me perdia.

Em pânico, e pensando em meu fim.
Desejava apenas voltar ao começo.
Sem mais algum pressentimento ruim.
Por medo, já não mais estremeço.

Seguindo aquela linha vermelha.
Sentia o coração de minha amada.
Cantando o que me dava na telha.
Sentia minha voz mais acalmada.

Olhando para aquele fino fio.
Lembrava do olhar quente dela.
Tirando-me, do corpo, o frio.
Bonita como uma artística tela.

Com o fio se acumulando num punhado.
Como se fossem os seus lindos cabelos.
Lembro do anel que já havia comprado.
As alianças escondidas em dois novelos.

Através daquele caminho.
No fim, via-se uma luz.
Não estava mais sozinho.
É ela agora que me conduz.

Ofuscado pela luz fechei o olho.
Abri-o em um lugar simples e claro.
Arrepiei-me e, na cama, me encolho.
Senti sua mão leve e seu amparo.

Estava em um hospital em coma por um acidente.
Apenas minutos antes de pedi-la em casamento.
O laço no dedo de nossas mãos, era transcendente.
Ela me guiou, e sempre guiará, apenas por pensamento.

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