sábado, 24 de novembro de 2012


Era uma vez um grão de arroz solitário.
Voou com o vento que não gostava de ninguém.
O grão, delicado e o vento, o seu contrário.
Mas esse fato jamais o detém.

Levado pelo vento.
Por dias e noites a fio.
Dormindo ao relendo.
Junto ao vento vazio.

Deixando de lado o tempo enganador.
Seguindo seu ritmo lentamente.
Abolia e dispersava toda a sua imensa dor.
Deixando-o rodopiando levemente.

Por sua trilha solitária.
Que não lembrava o começo.
Era quase imaginária.
O que faz dela: sem preço.

Seguindo o arco-íris de cores.
Partiu para um jardim.
Ele, com muitas flores.
E seu perfume de jasmim.

Assim como as flores: borboletas.
Planavam no ar com muita graça.
Azuis, amarelas, rosas e violetas.
Emudeciam assim como mordaça.

Não fazia diferença o tempo longo.
Não importava mais nem a distância.
A vida do solitário grão oblongo.
Era pequena mas tinha importância.

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